Testemunhos

Nestas páginas, você encontrará textos que descrevem os momentos de transformação, superação e renovação dos seus personagens. São histórias de pessoas comuns que encontraram força, coragem e fé nos momentos de fraqueza, mas cresceram na capacidade de crer no sobrenatural de Deus.

O Poder de Deus não tem limites

UMA JORNADA DE CURA

Baseado no testemunho de Ana Tereza Figueiredo Volpi
Jorge (sobre Paulo Francisco Jorge Neto)

“Por este menino orava eu; e o Senhor atendeu à minha petição, que
eu lhe tinha feito. Por isso também ao Senhor eu o entreguei, por
todos os dias que viver, pois ao Senhor foi pedido. E adorou ali ao
Senhor”
. (1 Samuel 1:27,28).


Quando servimos ao Senhor, entendemos que nunca seremos desonrados ao depositarmos nele a nossa esperança. Reconhecemos, também, que Ele age conforme os seus desígnios e no seu próprio tempo. Mesmo quando não compreendemos seus caminhos e tudo parece difícil, acreditamos em sua misericórdia e amor por nós. Ele é o autor supremo da criação, e escreveu a história de todos nós.
Apesar da sua vontade soberana, o Senhor nos concede milagres todos os dias, transformando nossa vida e restaurando nosso corpo, mente, alma e coração. O grande mistério é essas transformações radicais não comprometerem seus planos; pelo contrário, glorificam seu Altíssimo, Santíssimo e Poderosíssimo nome. Portanto, podemos confiar e clamar por seu socorro, pois a realização de milagres está alinhada com seus propósitos.
A minha gravidez foi claramente guiada pelo Senhor, pois eu estava sob os cuidados de um médico muito competente. Ele me acompanhou por um tempo, mas depois me disse que não faria mais partos e me indicou
outros médicos. Deixei o consultório em lágrimas, chorando ainda no elevador. Tiago, meu marido, me consolou, afirmando que tudo estava sob o controle de Deus e Ele nos conduziria conforme a sua boa, perfeita e
agradável vontade. Diante disso, procuramos uma nova obstetra que nos acompanhou até a trigésima segunda semana de gestação, quando, ao realizar um ultrassom, soubemos que o percentil do abdômen de Paulo estava abaixo do esperado para aquele estágio da gravidez. A médica nos orientou a
procurar a equipe de risco do Hospital Vila da Serra, pois seria necessário antecipar o parto.
Com o coração temeroso, buscamos a orientação de um primo, também pediatra no hospital. Ele nos indicou um médico plantonista em quem confiava, que pediu um ultrassom de urgência. Após analisar os resultados, o médico nos tranquilizou. Não era necessário antecipar o
nascimento. O pulmão do bebê ainda não estava completamente formado, tornando arriscado um parto naquele momento. Dessa forma, ele começou a monitorar a gravidez de perto, realizando ultrassons semanais.
Duas semanas depois, por um verdadeiro milagre, o percentil havia aumentado em cinquenta por cento, nos permitindo aguardar até bem próximo das 40 semanas.
Quando atingimos a 39ª semana, um ultrassom revelou que uma das veias de comunicação com o bebê havia parado de funcionar. O médico, então, orientou­-nos a procurar o plantão da Maternidade Neocenter ­ referência
em UTI neonatal ­ para induzir o parto normal.
Apesar da preocupação inicial com o percentil baixo, não houve nenhuma alteração significativa no ultrassom. Estávamos completamente alheios ao que viria depois do nascimento do Paulo. Na maternidade, o bebê foi
auscultado e realizou um ecocardiograma, confirmando seu bom estado de saúde. Devido à alta ocupação da maternidade naquele momento, nos pediram que retornássemos na manhã seguinte.
Chegamos à maternidade pela manhã, e o enfermeiro obstétrico que contratamos iniciou o processo de indução.
Como trabalhava na maternidade, conseguiu a permissão para isso. O processo foi longo e angustiante. Às duas horas da madrugada, a bolsa rompeu­-se e, logo em seguida, entrei em trabalho de parto, com uma boa dilatação, mas o útero permaneceu posterior durante todo o tempo. Paulo já estava encaixado, e eu sentia as dores do parto, prestes a dar à luz, mas o útero não acompanhava esse progresso.
Solicitei analgesia, mas a médica de plantão e o anestesista conversaram comigo, explicando que poderiam aliviar a dor, porém, devido à posição do colo do útero, o parto normal levaria mais 8 horas. Ao completar 24 horas de trabalho de parto, eu estava exausta e decidi fazer a
cesariana.
Assim, no dia 5 de fevereiro de 2022, às 8h29, nosso querido Paulo veio ao mundo, chorando e fixando seus olhos espertos em nós. Foi uma emoção indescritível. Eu estava exausta e, ainda sob os efeitos da anestesia, mal
conseguia segurá-­lo.
Após o nascimento de Paulo, percebemos que a decisão pela cesariana foi parte do plano de Deus. Se o parto fosse normal, ele poderia ter aspirado ao amamentar, o que representaria um grande risco à sua vida. No parto cesárea, a avaliação pediátrica foi mais precisa, garantindo sua
segurança.
Após os primeiros cuidados da pediatra, ela chamou Tiago e disse que Paulo havia nascido com “ânus imperfurado”, ou seja, ele não tinha a abertura anal. Por esse motivo, ele ficaria um tempo nos nossos braços antes de ser encaminhado à UTI para uma avaliação mais detalhada.
A avaliação indicaria se Paulo necessitaria de uma cirurgia para criar o canal anal adequado, o que poderia ser realizado no dia seguinte, ou se seria necessário um procedimento mais complexo para reconstruir parte do cólon, que requer a colocação de uma bolsa de colostomia.
No último caso, a correção completa do intestino seria realizada após cerca de quatro meses. Já havíamos ouvido falar sobre essa condição, relativamente comum, logo, ficamos tranquilos.
No quarto, percebi que Paulo não estava comigo e uma profunda tristeza tomou conta de mim. Foi um sentimento avassalador. Em nosso círculo de amizades e familiar, nunca ocorreu de nascer um bebê que necessitasse de cirurgia ou UTI neonatal. Não tínhamos certeza do que esperar a partir daquele momento, mas mantivemos nossa fé, pois Deus era conosco e havia guiado cada passo desde a concepção de Paulo. Acreditávamos que ele havia sido escolhido ainda no meu ventre.
No final da tarde, Tiago foi chamado para conversar com o cirurgião na UTI. Após um novo ultrassom, Paulo foi diagnosticado com a atresia de esôfago. Seu esôfago estava fechado e o estômago estava conectado à traqueia. O médico explicou que a correção do esôfago era uma cirurgia
de emergência, que implicaria em riscos para a vida de Paulo e deveria ser realizada naquele mesmo dia. Ele foi até o meu quarto para me fazer o mesmo comunicado.
Não encontro palavras para descrever os nossos sentimentos naquele instante, mas a nossa reação imediata foi orar e pedir aos nossos familiares que fizessem o mesmo. Fui à UTI e tive meu segundo encontro com nosso bebê. Minhas lágrimas não cessavam. Tiago demonstrou
uma força extraordinária, apoiando­me com coragem ao longo dos meses, pois eu oscilava entre momentos de profunda fé e outros de intensa tristeza.
Às 20 horas daquele dia, iniciou­se a cirurgia para corrigir a atresia de esôfago e a colostomia, deixando a cirurgia do ânus para um momento posterior. A operação prosseguiu até à meia-­noite. O enfermeiro obstétrico, por coincidência, estava de plantão naquele dia, e disse­me que tudo estava bem. Paulo havia vencido a primeira batalha. Logo em seguida, o médico, nos informou que tudo ocorreu com êxito. Hoje, sabemos que o Dr. Wagner não seria o médico de plantão naquela noite, mas foi um médico de grande competência colocado ali para cuidar de um filho amado de Deus.
Na manhã seguinte, soubemos que foi preciso tirar o pulmão do meu filho para alcançar o seu esôfago. Segundo o enfermeiro, foi uma experiência incrível, porque o pulmão de Paulo foi retirado e continuou funcionando
normalmente, o que é incomum, visto que algumas crianças têm paradas cardiorrespiratórias durante esse procedimento. Assim, glorificamos ao Deus dos milagres.
Se tudo tivesse ocorrido sem complicações, após 11 dias de recuperação da cirurgia no esôfago, Paulo teria começado a receber alimentação por via oral e provavelmente teria sido liberado para ir para casa. No entanto, em decorrência do surgimento de refluxo, uma estenose, ­ parecida com uma cicatriz, se formou no local da operação, resultando em um estreitamento no esôfago, por onde apenas pequenas quantidades de líquido podiam passar, dificultando até mesmo a passagem da saliva.
Assim, com apenas 13 dias de vida, Paulo teve que passar por outra cirurgia, desta vez para implantar uma gastrostomia, uma sonda direta no estômago para receber alimentação. Novamente, a cirurgia foi bem­sucedida.
No entanto, alguns dias depois, quando chegamos à UTI, nos deparamos com um acesso venoso na cabeça de Paulo, nos causando grande preocupação. O médico de plantão apenas mencionou que a elevação da pressão arterial exigiu uma transfusão de sangue e a inserção do acesso na cabeça, para aliviar a pressão. Alguns dias depois, através de um
médico amigo do meu pai que estava em contato com o cirurgião, soubemos que nosso filho chegou a falecer naquele dia e, por um verdadeiro milagre, voltou à vida, graças ao amoroso cuidado de nosso Pai celestial.
Resumidamente, a primeira internação de Paulo se estendeu por um total de 47 dias. Durante esse período, testemunhamos uma série de milagres operados pelo Senhor. Primeiramente, foi identificada uma Comunicação
Interatrial (CIA), uma má-­formação que cria uma abertura entre as câmaras do coração, a qual, posteriormente se fechou por si só, para a glória e honra do Senhor.
Atualmente, Paulo já não precisa mais de acompanhamento cardiológico.
Em seguida, fomos informados sobre o surgimento de uma fístula, uma ligação anormal entre o esôfago à traqueia, exigindo uma nova cirurgia. Imediatamente, enviei mensagens para a Pastora Clarice e para o Pastor José Nilson, um querido amigo. Para mim, tornou­-se uma prática constante recorrer a eles sempre que os médicos nos traziam notícias avassaladoras. Dessa maneira, fomos sustentados pelas fervorosas orações dos irmãos, familiares e amigos, e vimos os milagres se multiplicarem.
Poucos dias depois, os médicos nos falaram que a fístula havia se fechado espontaneamente. Além disso, Paulo também desenvolveu uma pneumonia devido à aspiração de fórmula infantil durante uma tentativa de alimentação via oral, mas esse desafio foi superado. Nossa fé inabalável
e o apoio das pessoas próximas a nós, foram fundamentais para enfrentarmos todos esses desafios.
A médica coordenadora da UTI expressou a sua perplexidade. Ela admitiu que, se não tivesse os resultados dos exames, duvidaria dos médicos. Certas condições de Paulo se modificavam rapidamente, sem explicações. Porém, Deus estava operando.
Após os 47 dias, recebemos a alta hospitalar. No entanto Deus, em sua misericórdia, não nos deixou iludidos. Ainda na porta da maternidade, Ele me alertou: “Minha filha, sua batalha está apenas começando”.
Realizamos exames para investigar a causa das malformações. Concluiu-se que não eram de origem genética, mas sim devido à condição de VACTERL ­ uma associação rara e sem causa conhecida de malformações
congênitas que engloba três ou mais anomalias envolvendo a coluna, ânus, coração, traqueia, esôfago, rins e membros.
É uma patologia incomum, com um caso a cada 20.000 nascimentos.
Paulo esteve em casa por sete dias, nos alegrando com seu sorriso. No oitavo dia, minha mãe e eu o levamos para uma consulta com o cirurgião pediátrico. Ele nos advertiu acerca dos perigos de manter Paulo em casa e sobre a necessidade de sua readmissão no Hospital Felício Rocho para realizar a primeira dilatação do esôfago. Imediatamente, entrou em
contato com o responsável pela UTI infantil e nos instruiu a ir até lá. Minha mãe e eu não conseguimos conter as lágrimas.
Entrei no hospital, mas sai logo depois, aos prantos. O segurança da portaria veio ao meu encontro. Talvez tenha pensado que eu tentaria fugir. Era exatamente o que eu desejava fazer naquele instante. Minha mãe estava em um estado emocional parecido com o meu. Paulo, ao contrário,
estava radiante, depois de um breve passeio pela rua. Ele permaneceu internado por 15 dias, durante os quais foi submetido à primeira dilatação do esôfago. As dilatações subsequentes ocorreram sem a necessidade de internação.
Foram realizadas três dilatações, a última em março de 2022. Com esses procedimentos, o esôfago se adaptou ao seu desenvolvimento. Mais um milagre foi realizado por Deus.
Retornamos para casa por mais três felizes semanas. Os cuidados diários com Paulo não nos impediram de viver plenamente. Fizemos vários passeios e adaptamos tudo para ele desfrutar de todas as boas coisas.
No final do mês de abril, foi constatada uma infecção no entorno da gastrostomia. A gastrostomia foi um dos nossos maiores pesadelos, uma vez que começou a vazar leite e Paulo não conseguia ganhar peso. Paulo foi internado novamente na maternidade do Neocenter. A expectativa
era de permanecer por apenas três dias, a fim de receber o antibiótico intravenoso. Logo poderia retornar para casa com o antibiótico oral. No terceiro dia, Paulo teve uma piora significativa. Os resultados dos exames indicavam uma bactéria bastante resistente. Foram dias de muita tristeza, com episódios de vômitos e queda na saturação, e sua recuperação foi lenta.
Para mim, aqueles dias foram os mais tristes de 2022 e de todas as internações de Paulo. No entanto, Deus sempre esteve atento a nós. Durante a semana seguinte, num domingo, ouvi uma música especial ao fundo de uma mensagem de oração. Na terça-­feira, tentando me consolar
diante de tanta desolação, Tiago me abraçou e cantou a mesma música. Na quarta­-feira, na UTI, notei duas enfermeiras evangélicas conversando sobre suas músicas prediletas. Elas começaram a cantar a mesma música que ouvi no dia anterior.
“Tá chorando por quê? Se você tem um Deus, que cuida de você e jamais te esqueceu. Ele sabe de tudo, que você está passando, e mandou te dizer que Ele está cuidando. Lembra de onde você veio e aonde que você chegou. Lembra de todos os livramentos que você já passou. Nem
era pra você tá aqui. Mas Deus falou assim, esse aí vou levantar e onde colocar a mão eu vou abençoar. Não chore, quem cuida de você não dorme. Levanta, tem muita gente que te ama. Deus mandou te dizer que vai acontecer. Deus mandou te falar que tudo vai passar”.
Sentindo-­me protegida pelo Espírito Santo, chorei ainda mais. A natureza das minhas lágrimas mudou completamente. A tristeza que carreguei desde o nascimento de Paulo transformou-­se em alegria e
permanece em meu coração. Enfrentamos outras internações e tristezas, mas a alegria do Senhor nunca mais nos deixou. A mesma música foi cantada para mim e para o Tiago muitas vezes.
A cor amarelada da pele de Paulo, que era percebida desde a primeira internação, estava cada vez mais evidente. Os médicos suspeitavam de uma atresia das vias biliares. Ele foi transferido para o Hospital Felício Rocho, para o cirurgião poder lidar com esse novo desafio.
No Felício Rocho, o ultrassom revelou uma obstrução em uma das vias biliares, algo incomum em um bebê de quatro meses. Era como ganhar várias loterias no mesmo dia, mas com um prêmio ruim. Em tais circunstâncias, a intervenção cirúrgica era complexa, com apenas 47% de chances de êxito. Em casos de insucesso, seria necessária a realização
de transplante de fígado. Mais uma vez, ficamos chocados e precisamos contar o com o apoio psicológico.
Alguns dias antes da cirurgia do fígado, rezei e entreguei a vida de Paulo ao Senhor. Eu disse a Deus que nada nos separaria — nem a morte, nem a vida — porque Ele era meu tesouro mais valioso. Eu aceitaria a sua vontade sobre a vida do Paulo. Compreendi que o Senhor exigia de mim
essa entrega. Tiago também foi orientado por Deus a tomar uma atitude de fé, aplicando algumas gotas de óleo ungido na boca de Paulo. Estávamos preparados para atender ao Senhor e assim procedemos.
No dia da cirurgia, notamos uma mudança na cor da pele de Paulo. Isso foi surpreendente! Ele estava tão amarelo antes, quase esverdeado, mas sua cor havia voltado ao normal. Nosso Pai amado fez mais um milagre! Paulo foi curado antes da cirurgia. Aleluia!
Apesar disso, Paulo foi operado e levado para a UTI. Não era atresia de vias biliares, mas um acúmulo de barro biliar, o que levou o cirurgião a remover a vesícula. Entre risos e lágrimas, exaltamos ao Senhor por sua bondade e
misericórdia.
O inimigo tentava sabotar a nossa alegria a cada vitória, a cada milagre. Todos os dias surgia um diagnóstico novo, um quadro modificado, uma opinião diferente. Todos os dias nos levantávamos para uma nova batalha.
Devido aos vazamentos frequentes, o cirurgião estava decidido pelo fechamento da gastro. Após a cirurgia, um novo levante de coisas ruins quis pairar sobre as nossas vidas. A essa altura dos acontecimentos já estávamos esgotados. A fonoaudióloga de plantão começou a colocar
empecilhos para a alimentação oral do Paulo e sugeriu a realização de uma nova gastrostomia. Sem nem pensar sobre isso, eu determinei que isso não aconteceria de jeito nenhum. Meu filho estava mamando e continuaria assim.
O cirurgião concordou comigo, pois Paulo estava todo inflamado por dentro e necessitava de um tempo para descanso. Foram 77 dias de internação. Quando Paulo recebeu alta, eu estava psicologicamente abalada, ferida pela dor e raiva de muitas coisas que aconteceram ali. As
feridas profundas ainda estão sendo curadas pelo Nosso Senhor.
Minha prima, pediatra, passou a cuidar de Paulo, proporcionando-­nos dias de tranquilidade, apesar das inúmeras pequenas tempestades que enfrentamos nos meses seguintes. Paulo teve alguns episódios de engasgos com líquidos, e em um deles chegou a perder a consciência.
Mais uma vez, o Senhor interveio e o livrou da morte. Ele contraiu pneumonia devido a essa aspiração, e foi tratado em casa.
Buscamos profissionais da área de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para estimulá­lo.
Todos afirmaram que ele não apresenta atrasos no desenvolvimento. Isso também foi um milagre de Deus, que nos guiou e sempre nos encorajou a proporcionar uma vida normal a ele.
Em abril de 2023, Paulo precisou fazer uma retossigmoidostomia para rebaixamento do cólon (o furinho do ânus). A expectativa era de uma cirurgia tranquila, de pequena extensão, mas, devido a novos
achados, foi necessário refazer o intestino.
A cirurgia foi bem-­sucedida, e o médico optou por fechar a colostomia. Entretanto, depois de vários dias de intensa febre, os pontos se abriram e infeccionaram. Após cinco dias, foi necessária uma nova intervenção para reabrir a colostomia. A febre alta durou nove dias, até que o antibiótico adequado fosse administrado. Tememos perdê-lo, mas, para a glória do Senhor, mais uma batalha foi vencida. Certamente inspirado por Deus, o cirurgião descobriu e fechou uma fístula complicada, que se ligava à bexiga e provocava uma infecção urinária.
Poucos meses depois, Paulo enfrentou uma nova batalha. Ele estava abatido, prostrado, com dificuldade para respirar e, com saturação em 86, foi colocado em oxigênio no Hospital São Camilo.
Apesar de ter recebido todos os cuidados necessários, sua condição se agravou pela manhã. No final da tarde, recebeu uma máscara de oxigênio. No entanto, devido à demora no atendimento, a máscara não foi suficiente e ele precisou serentubado e levado à UTI.
Foi um golpe doloroso. O chão se desfez sob nossos pés. Ao ser levado, mesmo sob sedação, ele olhou nos meus olhos. Seu olhar era como uma espada atravessando o meu coração. Em um esforço espiritual, busquei esperanças na recordação de uma visão que Deus me deu. Nela, Paulo
estava crescido e me olhava nos olhos. Então, eu soube que ele sairia daquela situação difícil e voltaria para mim.
Paulo estava com uma pneumonia grave. Ele foi extubado, mas, pela manhã, teve uma nova piora. Os médicos não sabiam como agir. Como recurso extremo, enviei uma mensagem para o grupo dos Gideões solicitando ajuda com orações. Em seguida, o Senhor iluminou os médicos, indicando o que deveria ser feito. Enviei outra mensagem à
tarde, informando que Paulo estava bem. Vivemos mais um milagre concedido pelo nosso amado Deus.
De milagre em milagre, de fé em fé, de oração em oração, de batalha em batalha, continuamos combatendo a anemia e a baixa produção de anticorpos.
A última cirurgia de Paulo, para fechar a colostomia, foi realizada. Apesar de ter sido um sucesso, não foi um procedimento simples, porque a alça do intestino ficou muito para fora, devido ao tempo prolongado de espera
para recuperar­se da pneumonia e da anemia e para fortalecer sua imunidade. Paulo já saiu extubado da cirurgia e, no dia seguinte, sua recuperação surpreendeu a todos. O tratamento com imunoglobulina humana sugerido pela imunologista, com a aprovação da pediatra, foi eficaz, mostrando mais uma vez a intervenção de Deus através do
médicos. Após 48 horas da cirurgia, Paulo irradiava alegria, chamando a atenção de médicos e enfermeiros.
Ele segue firme, cheio de força e alegria. Nosso amado Senhor está cuidando dele e de nós. Ele realiza milagres.
Toda a sua obra é de uma perfeição absoluta. Deus opera o sobrenatural, todos os dias, para a glória do seu nome e para o nosso bem. Fomos chamados segundo o seu propósito. Por isso, nosso coração está confiante.
Estamos preparados para o impossível de Deus.

    RESSURGINDO DA MORTE

    Baseado no testemunho de Maria Rodrigues.

    ““Eis que o Senhor teu Deus… é quem tira do abismo a tua vida.” (Jonas 2:6)


    Depois de tantos anos de casados, o afeto ainda nos agasalhava, nos mantendo unidos e aquecidos. Meu marido, Nadir, muito carinhoso, sempre cuidou de mim e das nossas duas filhas, com esmero, como marido e pai presente, necessário e notável.
    Morávamos em um grande condomínio de apartamentos. Os moradores do nosso prédio eram, em sua maioria, soldados do Corpo de Bombeiros, e formávamos uma comunidade solidária.
    Era maio de 2008, véspera do dia das mães. As meninas já estavam casadas. Uma delas estava grávida. Nessa época, tínhamos 39 anos de casados. A empresa onde meu marido trabalhava estava falida, fechando as portas. Com isso, havia dispensado os empregados sem fazer os devidos acertos. Desempregado, Nadir não tinha condições para comprar um presente para mim. Nem uma violeta sequer. Isso o desgastava. Eu tentava amenizar a situação, dizendo para não se preocupar, pois,
    sempre haveria outros dias para comemorarmos. Mesmo
    assim, ele ficou muito amargurado.
    Fomos dormir, naquela noite, seguindo os preparativos rotineiros e tudo corria tranquilamente, apesar da tristeza que ele sentia.
    Às três da manhã, acordei assustada, com minha cama balançando e Nadir emitindo barulhos estranhos. Acendi a luz e vi que ele estava arroxeado e babando. Entrei em pânico. Tentei prestar algum socorro, mas não fui capaz.
    Tomada pelo pavor, meu choro se transformou em gritos e palavras sem sentido que acordaram todos os vizinhos. Saí correndo pelos corredores do prédio, clamando, sem saber o que fazer. O sentimento de solidão, desamparo e impotência eram profundos. Eu não podia ajudar em nada, além de assistir meu companheiro morrer.
    Alguns, entre os muitos vizinhos bombeiros, vieram para ver o que estava acontecendo. Entraram apressadamente pelo apartamento, se dirigiram para o nosso quarto e fizeram algumas tentativas de reanimação, mas logo concluíram: estava morto.
    Houve grande tumulto. Eu já me sentia viúva e somente gritava:
    – Meu velho morreu, meu velho morreu!
    Liguei para minhas filhas e, sem cuidado algum, convoquei:
    – Venha rápido, que seu pai morreu!
    Ao chegar, assustada, minha filha chorava, lamentando pelo pai, que não conheceria a neta.
    Os bombeiros insistiram e continuaram tentando auscultá-lo e reanimá-lo, da maneira como podiam. O SAMU foi acionado e não demorou a chegar. Pouco antes, enquanto aguardava pela ambulância, liguei para o Pastor Josias – grande amigo da família – e solicitei a presença dele.
    Os socorristas do SAMU também tentaram salvar meu marido, sem sucesso. Por fim, tiraram a máscara e disseram que não havia mais o que fazer por ele. Ademais, igualmente, dois ou três homens do Corpo de Bombeiros, nossos vizinhos, constataram a morte. Fomos instruídos a
    chamar o Instituto Médico Legal (IML) para recolher o
    corpo. Nesse momento, todos desistiram de lutar pela vida
    do Nadir. Estava tudo acabado.
    Eu, viúva, me isolei no quarto que era das meninas, desolada e, sob os cuidados da vizinha Celma, chorei minha dor.
    Quando o Pastor Josias finalmente chegou, resoluto, apressado e abotoando a camisa, a ambulância do SAMU, que esta­va no pátio do condomínio, manobrava para ir embora.
    Pastor Josias entrou no quarto e deparou com o corpo esticado e roxo sobre a cama e, fechando a porta, pôs-­se a orar, lá dentro. Orava em voz alta e falava para Deus que não aceitava a morte do irmão de fé, porque ele ainda tinha muito a fazer pelo Reino aqui na Terra. Na terceira vez que
    orou, o coração sem vida voltou a bater.
    Passaram-­se cerca de vinte minutos entre a morte e a ressuscitação.
    Quando um dos soldados Bombeiro viu que Nadir estava vivo novamente, chamou o SAMU de volta para levá-­lo para o hospital, para fazer exames e investigar o que havia acontecido.
    Importante ressaltar que, somente depois que todos desistiram, Deus entrou em ação e o ressuscitou. Os socorristas desistiram, os bombeiros desistiram, eu chorava minha viuvez, mas quem estava orando não desistiu.
    Nadir conta que, do tempo que permaneceu morto, só se lembra que estava em um túnel muito comprido e, à sua frente, havia uma luz pequena a certa distância. Essa luz se movimentava para frente, e ele a seguia. Relata também que, de repente, sentiu uma explosão no peito e despertou, ouvindo a voz do Pastor Josias chamando seu nome.
    Enquanto o sobrenatural acontecia em meu quarto, eu continuava no quarto ao lado. O Pastor me chamou e houve um breve e surreal diálogo.
    – Venha cá, irmã Maria. Ele reviveu, vem ver se ele te reconhece!
    – O quê? Eu? Eu não vou lá, não – estranhei, assustada –, ele reviveu?
    – Sim, ele reviveu.
    – Mas como? O Bombeiro falou que não podia fazer mais nada – argumentei, tentando fugir da assustadora missão.
    – Não, irmã, Jesus o ressuscitou.
    Ressabiada, fui para o quarto e o vi, sentado na cama, sujo, molhado, vencedor de uma batalha terrível. Eu não sabia se ria ou se chorava. O povo foi chegando e foi aquela euforia.
    Nadir, porém, não me reconheceu. Ficou meio desligado por três dias, sem reconhecer ninguém. Os médicos disseram que ele havia sofrido uma convulsão e, por ter ficado muitos minutos em estado de morte, faltou
    oxigenação no cérebro. Até hoje, Nadir toma anticonvulsivos e tem lapsos de memória, mas para nós que o amamos, o mais valioso é tê­-lo conosco, para glória do Senhor.
    Não nos esquecemos da obra inigualável que o Senhor fez em nossa vida naquele dia.
    Glorificamos muito a Deus, pois nos livrou do mais profundo poder da morte.

    ALIANÇA ETERNA

    Baseado no testemunho de Kátia Ribeiro Martins dos Santos e Jardel Almeida dos Santos.

    “O que é impossível para os homens é possível para Deus”. (Lucas 18:27)

    Ninguém passará pela existência sem experimentar as aflições. Os desafios moldam o ser humano. Aos vencedores, a glória. Aos derrotados, o ostracismo. Muitas vezes, nosso destino é resultante das nossas escolhas. Para tomar decisões corretas, de sucesso e paz, carecemos da sabedoria de Deus, disponível em sua Palavra.

    Há decisões balizadoras em nossa vida. As mais relevantes estão vinculadas à família. As famílias não apenas fundamentam, sustentam e organizam o ser humano, como também dignificam sua existência.

    Nesse contexto, o casamento é a decisão definidora dos destinos de duas pessoas, que passarão a viver, sob muitos aspectos, como uma só. Ao optar pelo matrimônio, é imperativo desenvolver a convicção firme, a responsabilidade, o amor, a entrega, a abnegação, o altruísmo, a sabedoria e a boa vontade.

    O casamento é um tear que arrasta e entrelaça fios invisíveis e resistentes. A rede formada pelos familiares de ambos os lados se amplia, conectando pontos sutis e vitais. Depois, se expande com os filhos, seus cônjuges, sua parentela, os filhos dos filhos, gerando uma instituição orgânica e sistêmica. No caso de uma falha nesse sistema, resultando no divórcio, várias engrenagens se quebram, impactando muitas vidas. O divórcio, em sua essência, é uma tragédia. Representa a ruptura de uma aliança sagrada e provoca o desalinhamento dos propósitos de uma família.

    Ao nos casar, não antevemos o futuro. Se os laços conjugais não estiverem resguardados pelo direcionamento da palavra de Deus, pelos conselhos dos sábios e pelo senso de prioridade na harmonia da convivência, dificilmente serão bem­su-cedidos. Na juventude, não compreendemos a amplificação da realidade gerada pelo casamento.

    Em 1993, durante a adolescência, eu, com 14 anos, e Jardel, com 15, nos conhecemos. Meu irmão, Charles, convidou Jardel para visitar a igreja no bairro Atalaia (Justinópolis).

    Apesar de sermos tão jovens, nos aproximamos e, juntos, começamos a participar dos cultos e das atividades da igreja. Contudo, não recebemos as orientações adequadas a respeito de namoros precoces.

    Em 1998, descobrimos uma gravidez não planejada. Imaturos e sem estrutura, decidimos nos casar pensando que, dessa forma, contornaríamos o embaraço com as famílias e a igreja. Eu estava com aproximadamente quatro meses de gestação.

    Depois de nos casarmos, alugamos um imóvel. Jardel trabalhava como autônomo e eu era recepcionista. Nossa renda era baixa e passamos por privações, até que não pudemos mais arcar com o aluguel.

    Luiz, nosso filho, nasceu em 20 de agosto de 1998. A partir do seu nascimento, precisamos voltar para a casa dos meus pais e paramos de frequentar a igreja. Inicialmente, tudo parecia bem, mas alguns meses depois surgiram desavenças e meu pai pediu para providenciarmos outro lugar para nós. Sem recursos, fomos para a casa de uma tia, Leosina, que nos abrigou generosamente por cerca de um ano.

    Nesse período, surgiu a oportunidade de adquirir um apartamento em Justinópolis, a 30 minutos de distância da casa dos meus pais. Com muito esforço, conseguimos dar uma pequena entrada e assumir as parcelas restantes. Mudamos para o apartamento e, gradualmente, compramos alguns móveis e eletrodomésticos, trazendo mais conforto para nossa família. Era bom ver nosso filho feliz por estarmos em nossa casa, com um quarto para ele. Suas necessidades eram supridas pelos avós e tias, e nada nos faltava.

    No entanto, os dilemas não terminaram, porque Jardel, o cabeça do lar, não desempenhava o papel de provedor. A sua postura desrespeitava os princípios bíblicos e abria brecha para os problemas, pois ele se recusava a dizimar e se aproximar seriamente de Deus.

    Jardel era carinhoso e colaborador nas tarefas domésticas. Isso, porém, não era o bastante para proteger nosso casamento das investidas do inimigo. Através das pequenas mentiras, o diabo encontrou uma maneira para desestabilizar nossa família.

    Eu saía para trabalhar bem cedo, crendo que Jardel também sairia em seguida. Devido à nossa comunicação limitada, eu não tinha ideia de como ele lidava com as questões diárias. Dividíamos as despesas, e as prestações do apartamento eram de responsabilidade dele. Eu confiava que ele estava pagando.

    Certo dia, recebi um telefonema do banco e fui notificada de um débito referente ao apartamento. A princípio, relutei em acreditar, mas um fax com a lista das seis parcelas pendentes confirmou a informação. Fiquei consternada. Ao chegar em casa, expus minha indignação a ele, apresentando argumentos e provas. Discutimos acaloradamente. Deixei claro que meu filho era minha prioridade, e eu não sustentaria marido. Jardel demonstrava profundo pesar, chorando e pedindo perdão. Mesmo assim, minha fúria não diminuía.

    Com isso, nosso relacionamento tornou-­se mais complicado. Sem opção, contei os acontecimentos para minha mãe e minha irmã, que se organizaram para saldar a nossa dívida. Elas pretendiam cooperar para preservar o nosso casamento, porque tínhamos um filho. Assim, o dilema foi solucionado. Todavia, estávamos desgastados. O diálogo entre nós era cada vez mais raro. Eu tentava manter o casamento, embora preferisse trabalhar até mais tarde. A cada volta para casa me sentia desmotivada.

    Nessa fase, totalmente afastada de Deus, eu me concentrava apenas em mim e no meu filho, aumentando o distanciamento do meu marido. Muitas vezes, eu passava os fins de semana com o Luiz na casa da minha mãe, sem me importar com a opinião do Jardel. Não havia empatia da minha parte. A intimidade conjugal diminuiu, sem perspectiva de melhora. Ambos estávamos desempenhando nossos papéis de maneira totalmente errada e negligenciando nossos deveres.

    Com o decorrer dos meses, as parcelas do apartamento acumularam de novo. Não tínhamos condições de negociar e o devolvemos ao antigo dono. Por receio e constrangimento, Jardel mais uma vez escondeu sua incapacidade de se organizar e pagar as contas, devido à falta de emprego. O desgaste e a desconfiança se intensificaram. Para mim, não tínhamos motivos para estarmos juntos. Então, terminei o casamento.

    Foi uma escolha difícil, uma vez que Jardel era um pai excelente e amoroso. Entretanto, eu não me dispunha a trabalhar sozinha e tolerar as mentiras pelo resto da vida. Seria melhor se cada um seguisse seu caminho. Sem muitos argumentos, Jardel acatou a minha escolha e foi morar em outro apartamento.

    Fui acolhida por meus pais, com quem eu já passava a maior parte do tempo. Meu pai apenas impôs um contato estrito com Jardel, limitado às questões referentes ao nosso filho. As idas e vindas seriam intoleráveis. Eu refleti e atendi a essa exigência.

    A separação me afetou de muitas formas. Sujeitei-­me a comentários dolorosos. “Ela não conseguiu conservar o casamento”, “Engravidou cedo, sabia que não daria certo”, “Ele é imaturo demais para sustentar uma família”. Essas palavras me causaram baixa autoestima e vergonha.

    Meu pai insistia para eu me separar judicialmente. Eu protelava, pois receberia a visita de uma comissão para examinar a minha situação socioeconômica. Essa avaliação fazia parte de um processo para a concessão de bolsas de estudo em uma faculdade. Por isso, adiei o pedido de divórcio.

    Nessa época, Luiz sofreu muito, mesmo passando os fins de semana com Jardel. Para mim, também era angustiante recebê-­lo nas tardes de domingo, pedindo para ficar com o pai. Meu coração se dilacerava com suas súplicas e lágrimas.

    Ciente do sofrimento do filho, Jardel voltou para a igreja mais determinado, comprometendo-­se a refazer a família. Orando no monte e nas madrugadas, ele estabeleceu propósitos. Foram dois anos de tentativas de um concerto entre nós, e eu continuei relutante. Não sentia mais afeto por ele. Absolutamente nenhum; uma nulidade de sentimentos. Nesse ínterim, fui aprovada no vestibular e retomei os estudos. Ingressar na universidade foi uma conquista empolgante.

    Eu frequentava regularmente a igreja, participava dos cultos e contribuía com o dízimo, mas a minha relação com Deus era superficial. Aos sábados, eu ia para as baladas e, nos domingos, para a igreja, como se temesse a punição de Deus por me ausentar. Eu desconhecia a importância de uma conexão diária, leal e verdadeira com o Senhor. Não compreendia que os princípios de Jesus devem ser aplicados às nossas ações cotidianas, e isso é possível somente se tivermos intimidade com o Espírito Santo.

    Meu comportamento estava em desacordo com os ensinamentos da Bíblia, refletindo no meu filho. Ele não recebia o devido acompanhamento espiritual. Eu o levava à igreja, mas ele precisava de mais. Atualmente, defendo a oração e a leitura da palavra como práticas integradas à vida familiar. Além de ensinar à criança o que fazer, devemos caminhar com eles, mostrar a razão e os princípios por trás de cada ação. Naquela época, eu estava focada exclusivamente em minhas questões pessoais.

    Luiz indagava constantemente o motivo pelo qual eu não reconciliava com seu pai. Chorando, desabafava com a avó e a madrinha a angústia e o desejo de viver com os pais novamente. Sentia saudades de dormir e acordar na nossa cama, como fazíamos antes. A culpa por infligir tanto sofrimento ao meu filho me sobrecarregava, porém, esperava que, com o tempo, ele pudesse superar. Hoje, reconheço como, inadvertidamente, causei danos a ele. Não considerei que suas maiores necessidades eram a nossa presença, união e afeto, conforme o plano de Deus para uma família.

    Depois de dois anos de esforços e orações, Jardel desistiu. Eu já estava envolvida em outra relação. Ele seguiu em frente e mudou-­se para viver com uma mulher que tinha um filho de quatro anos. Esse período foi difícil para Luiz. Ele demonstrava ciúmes ao ver o pai com outra criança, receando ser substituído. Nos fins de semana, entrava em atrito com o outro menino, ficando mais emotivo e apegado ao pai. Todos sofríamos com isso.

    Sem o meu conhecimento, ocasionalmente, Luiz saía para passear com Jardel, sua namorada e o filho. Ao descobrir esses passeios, senti-­me incomodada. Eu havia terminado meu relacionamento e não queria ver meu filho envolvido em dinâmicas de outra família que não fosse a minha. Cheguei a fazer cena, devolvendo os presentes enviados pela namorada do pai.

    Quando comemoramos o aniversário de seis anos do Luiz, Jardel compareceu à festa. A namorada o acompanhou, mas permaneceu no carro, aguardando­-o. A flagrante afronta me deixou revoltada e constrangeu todos os membros da família. Alguns queriam confrontá­-la, pois julgavam desrespeitoso o fato de o pai não poder participar livremente da festa do filho. Sem reação, Jardel somente chorava. Para evitar conflitos, contive a minha irritação.

    Cantamos parabéns e Jardel despediu­-se. Embora nossos destinos parecessem definidos, Luiz nunca desistiu de nós. Ele comentava os acontecimentos de quando estava com o pai e confidenciava: “Meu pai disse que ainda gosta de você.” Eu ignorava, até porque Jardel estava comprometido.

    Finalmente, Jesus interveio em minha história … Ele tocou o meu coração com uma canção cuja letra proclamava:

    “Não, este não pode ser o teu fim, não é o que Deus sonhou para ti …”. Essas palavras penetravam a minha alma, especialmente ao mencionar “ver sua família se acabar”.

    Ouvindo esse hino, fui despertada para algo sensível. Era como uma pequena semente de esperança, um sonho de reunir minha família. Todavia, ao pesar todos os lados, me convencia de que a reconciliação não era possível. Havíamos perdido o apartamento, eu estudava, ainda trabalhava como recepcionista e Jardel era autônomo. O cenário era completamente desfavorável.

    Na verdade, eu não conseguia orar por um conserto. Não me sentia digna de fazer esse pedido a Deus, afinal, fui eu quem optou pelo rompimento e não quis lutar pelo casamento no passado. Mesmo assim, eu ia à igreja. Via os irmãos partilharem o pão e o vinho na Santa Ceia e almejava aquilo para mim.

    Eu estava infeliz e sem perspectivas. Minha família estava desfeita. Então, Deus iniciou um movimento em minha vida. Num ímpeto, chamei Jardel para uma conversa e marcamos para o horário do meu almoço, em um dia de sol. Durante nosso encontro, falei sobre a minha preocupação. Não achava apropriado ele e a namorada saírem para passear com nosso filho. Jardel não se abalou diante das minhas queixas.

    Com o orgulho ferido e a sensação de perda me dominando, eu relutava em aceitar aquela situação. Em meio a esses sentimentos, sugeri a possibilidade de reatar-mos. Naquele momento, eu não entendia minhas próprias motivações. Eu estava em desvantagem e com medo de ser afastada do meu filho. Era o Espírito Santo agindo em mim.

    Surpreso com a minha proposta após tanto tempo distante, Jardel acreditava que não tínhamos como reverter as nossas escolhas. Ele estava em outra fase, estabelecido em outro contexto. Compreendi as suas ponderações, mas notei seu semblante pensativo. Um mês depois, chamei­-o mais uma vez. Marcamos um segundo encontro e pedi para ele considerar uma possível volta. Ele estava mais receptivo, percebendo e analisando a minha mudança de atitude e persistência.

    Apesar da dificuldade financeira e de moradia, lentamente a reconciliação se tornou uma ideia viável. Prudentemente, ele nos colocou na dependência de Deus, que nos direcionaria e providenciaria um lar para nós, se essa fosse a sua soberana vontade. Deus agiu para nos favorecer e honrar a fé de Jardel, enviando uma mensagem: “Após tanto tempo de oração, agora é o momento da resposta.” Animado com essa revelação, ele ousou, procurou um banco e tentou financiar um imóvel apresentando meus documentos, dado que nossa separação não havia sido oficializada.

    Eu desejava reaver a minha família, mas, sem fé, os obstáculos diminuíam as minhas esperanças. Admitindo minha inconsequência, eu não tinha coragem de recorrer a Deus. Persistia em mim a convicção de que Deus é amor, mas também justiça. Dessa forma, Ele não poderia me ajudar a reconstruir minha família, se fui eu quem a destruiu. Eu presumia que, de fato, não merecia recuperá-la. Assim, enquanto Jardel buscava, orava e jejuava por nós, eu vivia sem compromissos.

    Mesmo sabendo dos desafios, depois de uma nova conversa resolvemos recomeçar. Jardel rompeu com a namorada. Fiquei contente, mas, para não criar grandes expectativas, não contei a ninguém.

    Um mês depois, recebemos a aprovação da carta de crédito. Tivemos 30 dias para encontrar um imóvel que se encaixasse no valor aprovado. Participamos de um leilão e encontramos um apartamento. Após os procedimentos, assumimos o ônus de retirar o seu ocupante.

    Com a aquisição finalizada e a documentação em mãos, negociamos com o morador. Ele pediu um prazo de 15 dias e liberou o imóvel sem qualquer tipo de obstáculo. Deus abriu portas para o milagre.

    Comuniquei a decisão à minha família. Minha mãe e minha irmã se emocionaram com a felicidade do meu filho. Meu pai estava apegado ao neto e hesitou em aceitar.

    Deus fez coisas inéditas. Ele despertou em meu coração um sentimento diferente por Jardel. Por anos, o afeto havia desaparecido. Contudo, Deus me concedeu um novo, intenso e profundo amor, me impulsionando a lutar pelo meu casamento e pelo bem­-estar do meu filho.

    Passados quatro meses, finalmente nos mudamos para o nosso apartamento. Compramos um par de alianças, e o Pastor Fortunato abençoou nossa união com uma oração.

    Luiz, com quase oito anos, irradiava alegria enquanto ajudava a arrumar seu quarto. Ao terminar, sentou­-se na cama, amarrou o balão do seu personagem favorito e disse:

    “Graças a Deus! Estou na minha casa!” Enternecido, Jardel chorou. Esse episódio foi marcante para nós, pois representava a restauração do nosso lar.

    Era evidente a ação de Deus em todas as coisas. Ele foi bondoso e remodelou nosso casamento e nossa condição de vida.

    Olhando para trás, vejo que poderia ter evitado muito sofrimento para Luiz e para nós se tivesse agido com prudência, seguindo as instruções da Bíblia. Em vez de julgar meu marido diante das primeiras dificuldades, deveria ter buscado a orientação de Deus. Ele, por sua vez, deveria ter assumido o papel de provedor e agido antes de sofrermos tantas perdas. Ambos cometemos inúmeros erros.

    A misericórdia de Deus, no entanto, foi abundante. Ele é benigno, fiel e não nos abandonou. Aprendemos com as nossas falhas e recebemos outra chance. Nossa aliança é eterna.

    Hoje, desfrutamos de um casamento feliz, conscientes de que não estamos imunes aos problemas. Porém, temos Jesus como nossa rocha, e as adversidades nos fortalecem como casal. Somos impulsionados a buscar a Deus através da oração, jejum e serviço. Sabemos que tudo é por Ele e para Ele. Todas as coisas pertencem a Deus.

    O PODER CURADOR DO PERDÃO

    Baseado no testemunho de Maurília Moura de Paula Campos

    “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”. (Provérbios 28:13)

    O que constitui uma família?
    A família é, em geral, definida como um grupo de pessoas que se unem por laços de sangue. Entretanto, o amor, o afeto, o respeito e a harmonia também são seus elementos essenciais. O objetivo principal de uma família é oferecer apoio e ajuda mútua aos seus membros, com as responsabilidades parentais divididas.
    A família ideal é uma meta a ser perseguida, com a criação de um ambiente receptivo e afetuoso, independentemente das circunstâncias pessoais. A formação de uma família saudável e feliz requer estima, respeito e esforço contínuo.
    Muitas famílias são confrontadas com obstáculos, insucessos e circunstâncias adversas que impedem sua plena realização. No entanto, não é necessário serem perfeitas para serem valiosas, visto que são formadas por seres humanos, e todos temos falhas e enfrentamos
    desafios.
    Sou fruto de uma família desestruturada. Meus pais, vítimas do alcoolismo, eram pessoas violentas. As discussões e agressões, tanto verbais quanto físicas, eram uma constante. Dos treze filhos que tiveram, seis não
    sobreviveram à infância. Entre tantos comportamentos abusivos que meu pai adotou, por fim, ele levou uma mulher desconhecida, que estava grávida, para morar em nossa casa. Minha mãe, irritada com a situação e sem a calma necessária, decidiu se separar dele, mas não sem antes empunhar uma arma e disparar contra a mulher.
    Embora o tiro tenha atingido levemente a mulher, passando de raspão pelo seu corpo, minha mãe foi condenada a cumprir uma pena de seis meses de prisão. Dois dos nossos irmãos, ambos com menos de dois anos, ficaram com ela naquele lugar.
    Para nós, a situação parecia injusta. Enquanto nossa mãe e nossos irmãos pequenos estavam na prisão, a mulher assumiu o controle da nossa casa. Naquela época, eu tinha apenas sete anos. A madrasta nos obrigava a pedir esmolas na rua e não éramos alimentados durante o dia. Somente à
    noite, quando meu pai estava em casa, podíamos comer.
    Ao término da sentença, liberta da prisão, minha mãe reuniu todos os filhos ao seu redor. Contudo, não tínhamos um lugar para ficar, porque meu pai não nos cedeu a casa.
    Assim, recorremos ao bom coração das pessoas para nos abrigar,
    pulando de casa em casa, até que minha mãe conseguiu um barracão de madeira, às margens do rio Arrudas, na favela do Perrela. Quando chovia, o rio inundava nossa casa e levava nossos pertences embora. Com esses reveses, aprendemos a não desistir. Desafiávamos o rio e recuperávamos nossas panelas, além de tudo o mais que a chuva tentava nos tirar.
    Apesar da extrema pobreza e das adversidades, éramos felizes, porque estávamos com nossa mãe.
    Passados alguns anos, meu pai vendeu a casa onde morava e deixou uma quantia para minha mãe, correspondente à sua parte. Ela trabalhava diariamente e recebia um pequeno salário. Somando os recursos, comprou um barracão melhor. Todavia, continuava entregue ao vício em
    álcool.
    Não demorou para meu pai voltar a morar conosco, abandonando a mulher grávida do segundo filho. As tentativas dela de reatar o relacionamento e levá­lo de volta geraram mais brigas entre os meus pais, culminando numa separação definitiva.
    Mais uma vez, tivemos problemas financeiros. Sem alternativa, minha mãe enviou para a FEBEM os quatro filhos mais novos, sendo eu, minha irmã e dois irmãos menores. Minha irmã era um ano mais velha que eu, enquanto os outros dois eram bem novinhos, estavam desnutridos e quase morreram por falta de assistência.
    Vivemos ali até eu completar treze anos. Depois, fomos separados: minha irmã mais velha e eu fomos para Ouro Preto, meu irmãozinho de sete anos foi para Muriaé e minha irmãzinha, com apenas cinco anos, foi para Nova
    Lima.
    A separação foi terrível para nós. Não sabíamos se nossa mãe havia sido notificada sobre nosso paradeiro, e sofremos com isso.
    Seis meses depois, finalmente eu e minha irmã recebemos a visita da nossa mãe. Naquela altura, eu queria ser adotada. Precisava de um lar e sonhava em fazer parte de uma família.
    No final do ano, passamos as férias na casa da nossa mãe, que morava com os filhos maiores no bairro Nova York. Minha irmã e eu decidimos não voltar para Ouro Preto, e continuamos na casa. Choramos a falta da nossa irmã mais velha, que havia falecido.
    Um ano depois, nossa mãe reuniu todos os filhos novamente. Contudo, não me livrei dos infortúnios. Com frequência, eu me via envolvida nas bebedeiras da minha mãe, e muitas vezes precisei levá­la de volta para casa ou para locais onde sua presença era importante, já que ela era
    a única pessoa responsável por mim.
    Minhas irmãs, logo na primeira oportunidade, deixaram a casa para morar com os namorados e, consequentemente,
    engravidaram. Fiquei com minha mãe, cuidando dos dois irmãos mais
    novos, mas as condições não eram favoráveis. A vida parecia miserável e sem perspectivas. Éramos extremamente pobres. Minha mãe não saía do vício e meus irmãos assimilaram a cultura da violência. Eles comportavam de acordo com o que tinham aprendido. Em nossa casa, o clima era caótico. Não tínhamos paz.
    Eu queria fugir, ser independente e ter um canto só meu. Aos 17 anos, engravidei. Tempos depois, descobri que o rapaz usava drogas. Decidi me separar dele e trabalhar em uma casa de família. Com o nascimento do bebê, fui morar em um barracão alugado, tentando vencer as dificuldades
    para conquistar minha independência.
    Aos 20 anos, conheci um rapaz. Nos relacionamos por algum tempo e decidimos morar juntos. No entanto, a bagagem emocional da família desestruturada que eu carregava era bastante pesada. Ele demonstrava ser maduro e responsável, e eu me sentia emocionalmente apavorada e insegura. Eu ainda não conhecia Jesus e precisava compreender o significado dos valores morais. Ninguém havia me ensinado essas coisas. Nosso casamento prosseguia, tropegamente.
    Em uma noite, minha mãe e eu fomos à procura de uma igreja. Estávamos empenhadas em encontrar Jesus e realizamos visitas a diversas igrejas.
    Finalmente, encontramos Jesus, e Ele nos estendeu sua mão amorosa. Estávamos carentes de carinho, apoio, atenção, compreensão, conforto e todas as coisas que nunca tivemos, e Jesus entrou em nossa vida.
    Minha mãe continuou frequentando a Igreja Batista e sua vida teve uma grande mudança. Com a ajuda do Espírito Santo, ela superou o vício, apesar de algumas recaídas no caminho. Ela confiava em mim e passou a me ver como uma pessoa forte. Juntas, orávamos e discutíamos nossos problemas, pequenos e grandes. Pela primeira vez, tive a chance de
    dialogar com minha mãe sobre suas dores, a razão por trás
    do alcoolismo dela e o vazio que ela deixou em minha
    infância e adolescência.
    A mulher angustiada transformou­se em uma mãe de verdade: cuidadosa, carinhosa e atenta, disposta a compensar os filhos por tudo o que não havia lhes proporcionado quando estava presa ao vício. Ela começou a
    trabalhar em uma empresa, dedicando seu salário ao nosso bem-­estar. A transformação a levou a abraçar a fé e se tornar uma mulher de Deus. Pautada pela honra, não gostava de mentiras. Aos domingos, nos encontrávamos, adorávamos a Deus e conversávamos sobre suas
    maravilhas.
    Encontrei o meu lugar para congregar na Igreja Metodista. Ali, fui acolhida pelo casal de pastores, que se tornaram os meus pais espirituais. Com eles, aprendi o verdadeiro significado do amor em uma família.
    De maneira contrária, em minha casa não existia acolhimento. Meu marido não demonstrava preocupação nem interesse por mim. Ele não concordava com minha ideia de trabalhar, o que acarretava grandes conflitos entre nós. Em decorrência disso, em certas ocasiões falávamos
    em nos separar. No entanto, por causa dos meus filhos, eu reconsiderava.
    Mesmo com as frustrações, me dispus a buscar uma conexão com Jesus. Com meus pastores, comecei a estudar em um seminário e aprendi a crescer espiritualmente. Pouco a pouco, o Senhor modificou a minha mente, transformando­me em uma mulher determinada e comprometida.
    Conquistando a confiança do meu pastor, assumi a coordenação de uma creche recém­inaugurada no meu bairro, onde matriculei meus três filhos.
    Por meio da Igreja Metodista e da Visão Mundial, realizei um trabalho social importante junto à comunidade, dando assistência a inúmeras famílias. Por oito anos, liderei esse projeto que se tornou uma referência para a comunidade. Reconhecida pelo meu trabalho, fui nomeada
    conselheira no primeiro Conselho Tutelar de Belo Horizonte.
    À medida que o tempo passava, minha vontade de seguir
    Jesus crescia. Meus antigos líderes mudaram para outra igreja e eu me juntei a uma igreja Pentecostal.
    Durante muitos anos, enquanto servia nos ministérios da igreja, sentia que ainda faltava alguma coisa em minha vida espiritual, pois, frequentemente, me afastava do Senhor. Aceitar a paternidade de Deus não foi uma tarefa simples para mim. Um dia, numa pregação sobre a morte de Estevão, tive uma visão que me tocou. Nessa visão, vi Jesus conversando com o Pai e, de repente, Estevão chegou no céu. Jesus virou­se e estendeu os braços para recebê­lo.
    Fiquei impressionada e procurei saber se aquela cena tão bonita estava descrita na Bíblia, mas não encontrei nenhuma referência.
    Deus, então, falou comigo:
    — Filha, você é minha amada, e é de braços abertos que vou
    te receber aqui!
    Essa experiência me deixou maravilhada e, emocionada, me entreguei completamente a Jesus. A partir daquele instante, compreendi que estou aqui para cumprir os propósitos do Senhor.
    O Senhor me chamou para ser evangelista e participar da missão Kadoch, levando a Palavra da Salvação por onde ando.
    Com determinação e esforço, estudei, obtive minha formação e fui aprovada em alguns concursos municipais. Sou chamada por Deus para exercer a função de professora, pois iniciei o meu ministério de ensino na
    igreja.
    Atualmente, estou aposentada pelo município de Contagem, onde trabalhei como professora. Estou em Belo Horizonte, exercendo a mesma função, aguardando a aposentadoria para me dedicar inteiramente ao serviço do Senhor, conquistando almas para Cristo.
    Sim, passei por diversas dificuldades ao longo do caminho, mas descobri que Jesus é suficiente em todas as situações. Ele é a minhaa fonte de paz.
    Minha mãe faleceu aos 59 anos, deixando a história de uma mulher resiliente, que vivenciou muitas tribulações e venceu. Pouco depois, procurei meu pai e o perdoei. Iniciei uma nova relação com ele. Testemunhei a incrível mudança que Jesus operou nele, após sua conversão. Meu pai ainda morava com a mesma mulher e, viúvo, decidiu se casar com ela. Ele apreciava as minhas visitas, durante as quais observei o carinho entre ele e os filhos.
    Mesmo tendo a sensação de que algo foi tirado de mim, percebi a transformação do homem agressivo da minha infância em um pai amoroso e querido. Passamos a falar sobre Jesus e a cantar os hinos da Harpa Cristã juntos.
    Perdoei os meus pais e isso nos permitiu desfrutar de bons momentos juntos. A atitude de perdoar foi transformadora para minha família, pois minhas irmãs se casaram e construíram laços familiares ainda mais fortes. Fomos abundantemente abençoados e testemunhamos verdadeiros milagres em nossas vidas. Todos os meus filhos estão casados. Além disso, tenho oito netos, e a minha filha também é professora. Preservo a boa convivência com meu ex­-marido e sua esposa.
    Aprendi que é necessário perdoar para se libertar. Experimento a paz que Jesus derramou abundantemente sobre mim e reconheço suas mãos amorosas me guiando, sempre no controle de todas as situações.
    Com Cristo, sou uma mulher abençoada e mais que vencedora.

    DO SENHOR VEM O LIVRAMENTO

    Baseado no testemunho de Elieza Martinho Quintela.

    “Pleiteia, Senhor, com aqueles que pleiteiam comigo; peleja contra os
    que pelejam contra mim. Pega do escudo e da rodela, e levanta­te em
    minha ajuda. Tira da lança e obstrui o caminho aos que me
    perseguem; dize à minha alma: Eu sou a tua salvação.” (Salmos 35:1­-3)

    Em meio às revezes da vida, muitas vezes somos surpreendidos por forças espirituais que visam nos prejudicar. Contudo, podemos confiar na proteção do Senhor.
    A Palavra de Deus nos assegura em Salmos 34:7 que “O anjo do Senhor acampa­se ao redor dos que o temem e os livra.” Essa promessa é uma âncora para quem crê. Ela nos garante que, como filhos de Deus, estamos sob a sua guarda. O mal pode se manifestar de diversas maneiras,
    porém o poder de Deus é superior a qualquer obra das trevas.
    Ao nos apegarmos a Jesus Cristo, percebemos que seu sangue salvador nos protege em todas as adversidades. Em Efésios 6:12, somos lembrados de que “nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”
    Portanto, cabe adotarmos uma postura de oração constante, nos refugiando em Deus. Quando oramos e nos abrigamos no Senhor, sua presença torna­se um escudo impenetrável.
    “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, um socorro bem presente nas tribulações.” (Salmo 46:1). Não devemos ter medo da feitiçaria, da macumbaria ou da magia negra, uma vez que, em Cristo, somos vencedores. Seu amparo nos estimula a viver em paz e coragem, certos de que nenhum mal nos alcançará.
    Como uma pessoa nascida nas raízes da fé católica, testemunho o poder transformador da busca sincera por Deus.
    Nasci na cidade de Baixo Guandu. Como pertence ao estado do Espírito Santo, a sua religiosidade é influenciada pela capital, Vitória, sede do Convento da Penha. Na região, os devotos cumprem promessas como forma de veneração à padroeira do estado.
    Em nossa casa, não tínhamos o hábito de ler a Bíblia, e nossas orações eram decoradas. Seguindo as tradições, dirigíamos as orações aos santos da nossa devoção.
    Entretanto, eu não ficava satisfeita com aquelas atitudes, pois não conseguia acreditar em algo que não entendia.
    Apesar de tentar, minha mãe não me oferecia uma explicação satisfatória para os costumes religiosos.
    Dessa forma, eu não encontrava a paz interior que precisava. Embora tenha sido criada nas práticas católicas, o anseio por ter um relacionamento íntimo com Jesus me levou a tomar outras decisões.
    Quando me casei, meu marido e eu nos mudamos para Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Trabalhamos e nos tornamos sócios nos negócios. Prosperamos e tivemos três filhas. A nossa família era considerada um exemplo de felicidade. Todavia, casei com um homem com características semelhantes às do meu pai, ambos rígidos e
    autoritários. Para mim, a transição para a vida conjugal não fez diferença. Sempre fui obediente ao meu pai e continuei obediente ao meu marido.
    Por muitos anos, nossa aparente alegria não preenchia o grande vazio em minha alma. Eu queria compreender claramente o significado da vida religiosa, e, intimamente, questionava minha fé.
    A experiência espiritual era indispensável para mim, mas eu não achava as respostas que procurava. Não assimilei as doutrinas do catolicismo. Vivi uma breve e assustadora experiência com o candomblé, quando fui convidada pelo meu sogro para participar de uma sessão. Eu não desejava
    aquilo também. Faltava algo em mim que eu sabia ser grande e poderoso.
    Até que Deus enviou pessoas para conversarem comigo sobre o seu plano extraordinário de salvação. O Espírito Santo se revelou para mim, movendo e transformando minha mente. Era como se as janelas da minha alma se
    abrissem, permitindo a entrada da luz.
    A simplicidade da mensagem centrada em Jesus Cristo, a ênfase na relação pessoal com Deus e a vivência da fé tocaram meu coração.
    Ao participar de cultos e grupos de estudo bíblico, me conectei com Deus e compreendi melhor as Escrituras. A adoração a Cristo, a sua graça salvadora e a comunhão entre os irmãos contribuíram para a minha conversão.
    O meu encontro com Jesus Cristo foi marcante ao ponto de preencher o vazio que havia em mim. A fé e o amor por Ele me permitiram superar desafios pelos quais nunca imaginei passar.
    Depois de convertida, tive um divórcio humilhante e traumático. Fiquei só, cuidando das minhas três filhas. A mais velha, com 17 anos, a do meio, com 16, e a caçula, com 13 anos. Era frustrante saber que meu marido, tão
    moralista, escolheu abandonar a família e deixar suas filhas para trás.
    Mesmo ferida, preservei a minha fé em Jesus Cristo. Era preciso prosseguir, com determinação e dignidade.
    Certa noite, em um culto na casa de uma irmã, o pastor fez uma oração por mim. Ele disse que eu adoeceria, mas não deveria me preocupar com o diagnóstico, pois Deus me curaria. Voltei para casa tranquila depois daquelas palavras.
    No dia seguinte, um queijo foi entregue na minha casa. Embora não fosse para mim, e sim às minhas filhas, senti vontade de prová­lo. Assim, fiz uma breve oração e comi o queijo como se fosse um delicioso petisco.
    Poucos dias depois, notei uma pequena mancha roxa em meu braço direito, próxima ao ombro. Ela não apresentava ferida. Era uma condição interna dolorida. Consultei um médico, mas ele não conseguiu identificar a natureza da mancha. Ele prescreveu antibióticos, porém a marca
    continuava a se expandir sob minha pele.
    Gradualmente, perdi as forças. Comecei a sentir fortes dores nos músculos e nervos, tornando­me incapaz de realizar tarefas simples, como tomar banho ou pentear os cabelos. Nesse período, minha filha Karina ficou responsável por me ajudar, me dar banhos e vestir­me.
    Seguindo o conselho de uma amiga, busquei a orientação de um infectologista. Após examinar­me, o médico chamou minha filha mais velha e explicou que eu estava infectada por uma bactéria denominada Staphylococcus aureus, conhecida por se alimentar de carne. Essa bactéria, identificada em regiões de mata densa, como a Amazônia,
    pode ser fatal em questão de dias. No receituário, o médico prescreveu para mim um corticoide potente e, com uma caneta vermelha, justificou a prescrição com as palavras “risco de morte”.
    Toda aquela situação era inusitada. Eu estava alarmada com a magnitude dos acontecimentos. Restava­me a fé em Jesus Cristo e no poder do seu sangue para desfazer as obras do diabo.
    Então, Deus começou a operar o meu milagre. Usando pessoas conhecidas e desconhecidas, Ele revelou detalhadamente um trabalho de macumba que visava a minha morte. Os pormenores desse trabalho foram desvelados, trazendo ao meu conhecimento o seu autor e suas razões mesquinhas. Inicialmente, não aceitei as revelações, acreditando que esse tipo de coisa jamais afetaria uma pessoa de fé. Contudo, posteriormente, cada palavra foi comprovada, e pude ver o Senhor me fazendo justiça.
    Enquanto enfrentava a enfermidade e lutava pela vida, me lembrei da mensagem que Deus havia me enviado por meio do pastor. Firmei­me na promessa de cura.
    Devido à gravidade da infecção, foi necessário realizar uma cirurgia para remover a carne comprometida e eliminar a bactéria presente no meu corpo. Desenvolvi uma septicemia e minha vida ficou por um fio.
    Durante esse processo, Deus não ficou parado. Ele agiu com autoridade e graça, reunindo um exército de intercessores para orar por mim. Um grupo da Igreja Batista Central de Venda Nova, em especial, marchou por
    sete dias em minha casa. A batalha pela minha vida foi inacreditável. O médico que cuidou de mim também foi um instrumento de Deus para me livrar do mal e me curar.
    A tribulação pela qual passei deixou uma grande cicatriz no meu braço direito.
    Sou grata a Deus, pois reconheço seus milagres em minha vida. As feitiçarias não podem destruir um crente em Jesus, ainda que afetem nossa carne.
    Pouco tempo depois, totalmente recuperada, participei de um Reencontro com Deus, em Manaus. No meio da mata, orei e, em nome de Jesus Cristo, devolvi à sua origem a bactéria que havia sido convocada para me causar mal.
    Fui restaurada pela misericórdia do Senhor. Por mais que meus inimigos militassem contra mim, Deus jamais me abandonou. Minha fé no Altíssimo é uma armadura que me livra e me protege das investidas do inimigo.
    Isso me deixa maravilhada!

    O DOM DA VIDA

    Baseado no testemunho de Renata de Azevedo Borges Maia

    “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem
    sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de
    júbilo; então, entre as nações se dizia: grandes coisas o Senhor tem
    feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por
    isso, estamos alegres”. (Salmos 126:1­3)

    O que pode nos faltar quando temos fé? A fé é um mistério. Somente por intermédio de Deus conseguimos acreditar que o impossível se manifestará ao nosso favor. Mesmo sendo fracos e pecadores, assolados pela dor e desespero, nossa fé move a mão de Deus e produz milagres.
    Deus é magnífico. Sua fidelidade e poder não têm limites. Quando entendemos isso, confiamos em seus milagres. A esperança nos alimenta e encontramos alívio. Então, como declarado em Salmos 126:2, sua boca transborda de alegria e entoa cânticos. Quando nos sentimos desamparados e impotentes e somos socorridos pelo poder e graça do
    Senhor, não podemos mais viver sem o selo do seu amor. Assim, os milagres se multiplicam diariamente, em cada detalhe da nossa vida. Nada nos falta. Cremos nos seus propósitos para todas as coisas. Desejamos proclamar a grandeza desse Deus amoroso e testemunhar as maravilhas
    que Ele realiza.
    Inspirada por esse sentimento, compartilho as bênçãos que recebi do Senhor, após o nascimento prematuro da minha filha.
    Mariana foi gestada por um período relativamente curto. A partir da décima terceira semana, as dificuldades começaram a surgir. Para prosseguir com a gestação, precisei passar por uma cirurgia no útero, conhecida como cerclagem.
    Guardei rigoroso repouso e adotei medidas preventivas até os seis meses de gestação, quando Mariana nasceu. Ela foi classificada como uma prematura extrema.
    Tudo era novo e assustador para mim. Pesando apenas 765 gramas, minha bebê era tão pequena que caberia em minha mão. Na realidade, ela era um feto e não estava completamente desenvolvida. Era possível ver as veias azuis percorrendo o seu corpo delicado. As orelhas eram pequenas saliências de cartilagem. Não tinha cílios nem cabelos e a genitália e bumbum não estavam formados. Os pulmões não conseguiam respirar sozinhos.
    Logo após o nascimento, Mariana foi levada para a UTI Neonatal, intubada e colocada em uma incubadora para completar o seu desenvolvimento e ganhar peso. Recebi alta hospitalar e voltei para casa sem minha filha, mas a visitava diariamente em horários estabelecidos.
    Nos primeiros quinze dias de vida, Mariana parecia ser saudável. Não houve problemas nesse período. Naturalmente, devido à prematuridade extrema, seu estado era grave, porém estável.
    Entretanto, o pulmão começou a rejeitar o tubo, percebendo-­o como um corpo estranho. A rejeição gerou um processo de necrose pulmonar. Aos 21 dias, ela apresentou hipertensão pulmonar, e aos 27, teve uma hemorragia pulmonar relacionada à sepse tardia e a um distúrbio de coagulação. Além disso, desenvolveu enfisema pulmonar e episódios recorrentes de atelectasias. O pulmão não conseguia se expandir e colapsava frequentemente. As batalhas eram diárias e se estenderam por um longo período. Mariana ficou internada por 85 dias, a maioria
    deles na UTI Neonatal. Durante esse período, passou por diversas transfusões sanguíneas. A procura por doadores era constante, uma vez que o banco de sangue estava com os estoques esgotados e havia uma grande demanda.
    Por vários dias, minha filha esteve próxima da morte. Toda manhã, eu agradecia a Deus pelo fato de ela conseguir respirar. Somente o Senhor me dava forças para lidar com as adversidades, manter a fé e aguardar a vitória.
    Quando não podia ir ao hospital, eu ligava para obter notícias, porém as informações não eram precisas. Isso me deixava muito ansiosa e eu corria para lá, mas era barrada na porta da UTI, pois os médicos estavam ocupados atendendo uma criança em situação crítica que, na maioria
    das vezes, era a minha filha.
    Ao acompanhar o desenvolvimento da minha bebê por uma barreira de vidro, percebi a experiência da gestação sendo retirada de mim. Em vez de ser a gestante, passei a ser uma espectadora. Sem nem ao menos poder tocá-­la, eu a vi sendo gestada por uma incubadora. O meu conforto era estar próxima dela e dizer o quanto era amada e esperada, e que tudo daria certo. Isso era muito intenso em meu coração.
    Mariana foi mantida em coma induzido, sob sedação, devido à intubação. Quando eu pensava que ela estava melhorando, surgia nova intercorrência. Além das questões pulmonares, houve outras
    complicações. Mariana sofreu um derrame cerebral. Simultaneamente, desenvolveu retinopatia da prematuridade (uma condição que afeta prematuros em ventilação e recebem oxigênio em excesso, resultando no
    ressecamento das retinas). Para evitar danos à visão, foi preciso realizar cirurgias nos dois olhos em um hospital especializado em oftalmologia.
    A situação era difícil e incomum. A criança pesava 1.050 gramas, estava em estado crítico, conectada a diversos fios e enfrentava grandes batalhas. Mesmo intubada em uma incubadora, seria transportada para ser operada nos olhos.
    Apesar da preocupação, eu continuava firme. Pedia forças a Deus, contando com as orações da igreja e da minha família.
    Diante das circunstâncias, os médicos a retiraram da incubadora. Estávamos apreensivos, pois ela não podia sofrer solavancos durante o trajeto. A ambulância deveria seguir suavemente. Eu orava incessantemente, ministrando cura e livramento do mal. Pedia a Deus por minha filha e pelas pessoas que cuidavam dela.
    Mariana deixou a sala de cirurgia com os olhos inchados. A médica abriu as pálpebras com cuidado e mostrou­-me os olhinhos operados. Eles estavam vermelhos e cheios de sangue. A cirurgia foi um sucesso e ela se recuperaria gradualmente.
    De volta ao hospital, Mariana continuou intubada. Seus pulmões não respondiam bem. Nesse cenário, ela continuou a crescer.
    Quando Mariana estava completando três meses de vida, a fisioterapeuta da equipe decidiu intensificar o tratamento. Com a nova abordagem, o que não estava dando certo passou a apresentar bons resultados.
    Finalmente, pude carregá­-la nos braços. Os médicos tinham boas expectativas em relação ao contato entre a mãe e a filha, embora ela estivesse com os tubos. Eu ainda não podia amamentá­-la, mas a minha alegria era imensa.
    As enfermeiras providenciaram uma cadeira para mim, e Mariana foi colocada sobre o meu peito. Ficamos assim por um tempo, e o calor do meu corpo a aqueceu. A partir daí, Mariana começou a melhorar. Aos poucos, os aparelhos médicos foram retirados. O tubo de respiração foi
    substituído pelo CPAP nasal e a adaptação foi bem-sucedida. Em seguida, o cateter nasal foi removido e a transferiram da incubadora para o berço.
    Numa tarde, ao visitá-­la, encontrei­-a pronta para ir para o quarto. Só foi necessário assinar alguns documentos. Eu não sabia como agradecer a Deus por tantas coisas boas.
    Dada a gravidade da sua condição, a hemorragia cerebral e o longo tratamento, Mariana poderia ter sequelas neurológicas graves, problemas de visão e dificuldades cognitivas.
    Contudo, as expectativas foram superadas. Mariana começou a andar dentro do prazo esperado e era inteligente. Seu rendimento escolar sempre foi satisfatório.
    Atualmente, ela faz parte do grupo de danças em nossa igreja. Em suas redes sociais, compartilha o testemunho pessoal, defendendo a importância da vida desde o útero. Ela está engajada no combate ao discurso de liberação do aborto e publica fotos de quando era uma bebê prematura.
    Mariana veio ao mundo prematuramente, com apenas seis meses de gestação. Esse é o mesmo tempo pleiteado pelos ativistas pró­-aborto para sua legalização, argumentando que o feto não tem vida, logo, não pode ser considerado uma pessoa. Por isso, ela assumiu a missão de conscientizar a sociedade de que o feto tem uma vida autorizada e concedida por Deus.
    Participar desse projeto é gratificante, sobretudo porque tivemos experiências que comprovam sua legitimidade. Temos plena confiança no cumprimento dos propósitos de Deus.
    Mariana é uma jovem maravilhosa e perfeita, uma verdadeira princesa do Senhor.

    JESUS CURA E RESTAURA

    Baseado no testemunho de Rosângela Ferreira Moura dos Santos.

    “Não temas, ó pequenino de Jacó, e vós, remanescente de Israel; eu te
    ajudo, diz o Senhor, e o teu redentor é o Santo de Israel.” (Isaías
    41:14)


    Deus é o ser supremo, Todo Poderoso, criador do céu, da Terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.
    A Palavra nos lembra em 1 Coríntios 2:9 que “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”.
    Essa afirmação é inquestionável em sua profundidade. Se conhecêssemos os planos de Deus para nós, certamente o louvaríamos e adoraríamos, não importando as dificuldades que enfrentamos. Apenas confiaríamos.
    Essas afirmações são embasadas na verdade. Contudo, algumas pessoas podem resistir a elas, sobretudo aquelas que não têm fé ou não tiveram experiências com Deus.
    Apesar de tentarmos planejar e controlar nossas vidas, percebemos que não temos total controle sobre o que acontece conosco. Mesmo que façamos planos, estabeleçamos metas e alcancemos sucesso, a vida continua sendo cheia de surpresas, desafios e obstáculos a cada novo
    dia.
    Diante dessas situações, entendemos o quanto somos frágeis e insignificantes. Passamos por angústias, provações e infortúnios, momentos em que nos identificamos com o salmista que declarou: “Eu sou um verme e não um homem.” (Salmos 22:6)
    Sou grata por reconhecer a supremacia de Deus. Não posso compreender plenamente sua grandiosidade, mas distingo sua presença e aceito sua autoridade de todo o coração.
    Minha experiência pessoal com a soberania de Deus sobre a vida e a morte remonta a 2012. Em meio a uma enfermidade e à incerteza, fui guiada por um poder sobrenatural que me conduziu à cura e fortaleceu minha fé.
    No começo do ano, em janeiro, senti uma dor de cabeça intensa e fora do comum. Na ocasião, eu estava em casa, atendendo a um prestador de serviços. Vendo minha aflição, ele prontamente ofereceu ajuda e juntos fomos até a unidade básica de saúde. O atendimento médico levou cerca de 40 minutos. A dor cedeu temporariamente, e da minha boca saíram palavras de oração e rendição. Implorei: “Deus, se for o teu propósito, que o Senhor me leve. Entrego o meu espírito em tuas mãos. Que tua vontade seja feita em minha vida.”
    A partir desse instante, fiquei em paz.
    Medicada com Dipirona e Ibuprofeno, retornei para casa, onde permaneci por cinco dias. No entanto, a dor persistia. Eu precisava tomar 100 gotas de Dipirona a cada seis horas. Minha pressão arterial caía para níveis perigosos e eu tinha episódios de apagões. Nessas ocasiões, Deus se
    manifestava através do Espírito Santo, me orientando sobre as ações a tomar e a evitar. Eu acreditava que Ele estava zelando por mim.
    Em 5 de janeiro, após uma noite de muitas dores, pensei em sair da cama e ir para um hospital à procura de alívio. Tomei mais uma dose de Dipirona e dormi profundamente. Durante esse sono, fui visitada pelo Espírito Santo e advertida: “Não vá para o hospital que você tem em mente, pois, se o fizer, sairá de lá sem vida.” Seguindo a instrução, não fui àquele hospital, mesmo sofrendo muitas dores. Confiei em Deus, pois, se Ele se
    preocupava comigo o suficiente para me resguardar das decisões erradas, certamente também me apresentaria uma solução.
    Em 6 de janeiro, novamente adormeci devido aos remédios. O Senhor me visitou em sonho e me disse que a única maneira de obter um diagnóstico exato seria com a análise do líquido da coluna. Crendo nessa revelação e
    determinada a procurar auxílio médico, arrumei minha mochila. Meu marido, desgastado por tanta espera e pela falta de recursos financeiros, decidiu assumir os custos do tratamento particular, utilizando o cartão de crédito. Com fé e um propósito em mente, começamos a procurar neurologistas em diversos hospitais. Após passar por cinco deles, fui encaminhada para o Hospital João XXIII. Pela
    graça de Deus, nessa instituição pude realizar os exames necessários e receber os tratamentos essenciais, sem pagar nada por isso.
    Ao conversar com o médico, expus objetivamente a minha desconfiança de que uma veia na minha cabeça poderia ter se rompido. Pedi para fazer um exame de líquido cefalorraquidiano para uma análise mais detalhada do quadro. O médico concordou comigo, e, assim, as suspeitas
    foram comprovadas.
    Imediatamente, fui transferida para o Hospital Evangélico, localizado na região da Serra. Lá, seriam tomadas as providências relacionadas às cirurgias. A primeira delas foi marcada, mas, mesmo diante da complexidade do meu caso, eu teria que esperar por dez dias até a sua realização.
    Neste meio tempo, prossegui com os exames para identificar a localização dos aneurismas. A despeito do alto custo dessas avaliações, Deus providenciou todos os recursos. Ao final, foram constatados dois aneurismas em minha cabeça, um em cada hemisfério, sendo que o
    aneurisma do lado esquerdo havia rompido.
    A situação era delicada e urgente, resultando na antecipação da primeira cirurgia em cinco dias. Ela teve a duração de sete horas e meia.
    Lembro­me de poucas coisas que aconteceram enquanto estive no CTI, no período pós­cirúrgico. Recebi algumas visitas, que, com palavras de carinho, mantiveram conversas amenas e reconfortantes. São memórias de acontecimentos comuns, compartilhadas mais tarde com minha família e amigos.
    Uma semana depois, submeti­me à segunda cirurgia para corrigir o aneurisma presente no lado direito. Foram mais quatro horas no bloco cirúrgico. Permaneci sedada do dia 20 de janeiro até o meio­dia do dia 23. Desse período, não me lembro de nada. No entanto, houve uma experiência que ficou marcada em minha memória e é difícil de explicar com palavras comuns. Em um momento de completa inconsciência, fui
    transportada em espírito para um local desconhecido. Tudo ao meu redor era branco e macio como uma nuvem. Esse cenário era amplo, silencioso, e não havia ninguém por perto.
    De repente, avistei um casal vestido de branco, como enfermeiros. Eles não me viram. Tão rapidamente quanto apareceram, desapareceram diante dos meus olhos. Fiquei sozinha novamente e compreendi que estava ali em espírito.
    Eu não sabia a razão de estar naquele lugar, então, gritei:
    — Quando irei embora daqui?
    Em resposta, uma voz retumbante irrompeu dos céus, ressoando dentro de mim:
    — Ainda não é chegada a tua hora!
    Recuperei a consciência. Para minha surpresa me vi completamente restabelecida, sem sequelas. Não precisei de mais nenhum tipo de cuidado para recuperar meus movimentos ou sentidos. Os médicos reconheceram a intervenção de Deus em meu processo de cura.
    No dia seguinte, recebi alta hospitalar e voltei para casa.
    Deus não me permitiu comentar sobre a experiência espiritual, e a guardei em meu coração. Dois anos depois,
    Ele confirmou que fui arrebatada e me liberou para testemunhar.
    Quando vista pela perspectiva do mundo, sou apenas uma pessoa comum. Não tenho atributos especiais ou distinções que me tornem merecedora de uma atenção tão sublime por parte de Deus. Ele providenciou cada detalhe: hospitais, médicos, exames, apoio dos meus
    acompanhantes, orações dos irmãos e afeto da minha família. Nesse processo, liberei o perdão para as pessoas importantes em minha vida, em uma transformação espiritual e emocional.
    A bondade e a proteção de Deus foram além de simplesmente me curarem, me consolarem e me fazerem bem. Ele me salvou da morte iminente e, através dessas experiências, pude enxergar a magnitude de seu poder e amor. Sua compaixão supera todos os obstáculos. Ele é a
    nossa fonte de sustento e amparo.
    Que o nome do Senhor seja exaltado eternamente!